A lenda chinesa da criação do universo

A lenda chinesa da criação do universo - Palácio do Dao

A lenda chinesa da criação do universo é uma verdadeira poesia. Diz a lenda que, no início, não havia nada além do Dao e do Vazio.

E do Dao criou-se um ovo negro, que foi chocado por dezoito mil anos. Dentro deste ovo, Yin, Yang e Panku coexistiram em um estado de unicidade por todo este tempo.

A lenda chinesa da criação: Panku

Curiosidade: Panku também é conhecido como Hoen-Tsin, personagem da mitologia chinesa que representa o caos primordial.

Com muita determinação, Panku rompeu a casca do ovo e foi criado o Universo. Yin, mais pesado, foi para baixo e formou a Terra. Yang, mais leve, subiu e formou o Céu. Panku, assustado com sua criação, rapidamente afastou as pernas e ergueu os braços, segurando Céu e Terra e impedindo que eles voltassem a se unir. Depois de dezoito mil anos, Panku descansou.

Sua respiração tornou-se o vento; sua voz, o trovão. Seu olho esquerdo se transformou no Sol e o direito na Lua. Seu corpo deu origem às montanhas e seu sangue formou os rios. Seus músculos deram origem à Terra. Sua barba formou os arbustos e mudas de plantas, e seus pêlos formaram as florestas. Sua pele virou o chão, seus ossos os minerais e sua medula, todas as pedras preciosas. Seu suor caiu como chuva. E todas as pequenas criaturas que viviam em seu corpo, como pulgas, piolhos e pequenas bactérias, foram carregadas pelo vento e deram origem a todos os dez mil seres, que se espalharam pelo mundo.

Contexto filosófico

A história de Panku é extremamente significativa quando paramos para pensar em como cada um de nós é: todos nós estamos, desde o início de nossas vidas, separando o céu da terra, o bom do ruim, o mau do bom.

Assim, todos somos Panku, parados por tempo demais na mesma posição, tentando evitar que tudo volte a ser uma coisa só – porque para nossa mente física é impossível algo ser bom e ruim, dependendo apenas do ponto de vista ou da circunstância na qual examinamos uma situação.

Portanto, todos nós somos Panku, e estamos cansados e estar sempre julgando porque este julgamento, esta separação do do mundo entre bom e ruim, entre incômodo e conforto, entre certo e errado aniquila a chance das infinitas possibilidades se manifestarem.

A criação

Separando o bom do ruim evitamos todo e qualquer confronto com o desconforto, mas quem nos garante que não é justamente o desconforto de hoje que vai nos conduzir ao tesouro de amanhã?

Pois é apenas quando Panku descansa que tudo nasce: as florestas, os mares, as pedras preciosas e os dez mil seres. É apenas quando deixamos de separar o bom do ruim e o certo do errado que o Universo tem a possibilidade de se manifestar em toda a sua glória e abundância. É apenas quando descansamos que se faz a vida.

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Com informações de Flavia Melissa.

Profissional de Marketing, Editor da novel Against the Gods na Novel Mania e apaixonado pelo gênero Xianxia e por boa parte das novels chinesas.