Crítica — Tecnomancer

Sistema de avaliação:

A crítica abaixo se abstém de falar sobre o enredo, mantendo-se focada na construção de narrativa. O objetivo não é atacar o escritor de forma alguma, apenas tentar ajuda-lo e trazer entretenimento e discernimento aos leitores.

Ao final da crítica terá uma classificação dividida entre:

Vermelho — Iniciante completo, não sabe quase nada sobre criar uma história e erra o tempo inteiro.

Amarelo — Está se encaminhando, ainda erra muito o básico e quase não conhece nada sobre construção de narrativa.

Azul — Não tem quase mais erros básico, mas ainda tem problemas graves.

Preto — Não tem mais erros básicos, mas tem erros um pouco mais avançados. Já sabe construir um narrativa boa.

Verde — Está ótimo em gramática e pontuação. Já aprendeu boa parte das técnicas narrativas.

Dourado — Já está em um nível similar ao das novels internacionais.

Crítica:

Tecnomancer é uma novel disponível para leitura na Saikai Scan.

Em Tecnomancer seguimos a história de Lucas Cortez, um jovem que luta para sobreviver em uma sociedade difícil, sendo obrigado a se tornar um ladrão.

A premissa de Tecnomancer é interessante a primeira vista. Uma sociedade futurística com requintes do passado, um tanto cyberpunk misturado com steampunk, raças diversas, mundos se chocando e aquilo que mais me agrada: um sistema similar ao de RPG.

Com tudo isso a história deveria ser incrível, não? Todos os deleites e requintes, além de uma trama interessante. Então por que mesmo com tudo isso a história não me agrada? Muitos devem achar que é por gosto, ou coisa similar, mas não é bem assim. Tecnomancer tem 3 principais problemas.

Uma pontuação rebuscada usada de forma incorreta;

Diálogos lotados de gírias, palavrões e pontuação incorreta;

E por último: O texto expositivo sem nenhuma técnica narrativa, as coisas acontecem e o autor explica.

Voltando um pouco. Falarei rapidamente sobre alguns outros pontos menores que notei na história:

Repetições, principalmente do nome do personagem, podendo ser utilizado elipse para ocultar ou outros sinônimos;
Parágrafos inconstantes. Alguns parágrafos da história chegam a quase dez linhas, enquanto outros parágrafos tem apenas uma.

Uso extremo de advérbios, as vezes seguidos uns dos outros.

Alguns erros gramaticais, mas isso pode ser relevado. Ninguém é perfeito.

Retornando ao ponto.

Muitos leitores não tem senso crítico, ou não entendem de escrita criativa, por isso não conseguem entender o porquê de não gostarem de uma história mesmo por fora ela parecendo ser boa.

A razão para isso é a construção de prosa, que em um resumo geral é todo o texto escrito em parágrafo com o objetivo de expor uma ideia, de fatos ou de uma história. Para um texto ser agradável de se ler, precisa ter uma prosa fluída e limpa, onde o leitor pode pular de parágrafo em parágrafo sem se desconcentrar da leitura.

É nesse momento que entra o primeiro problema de Tecnomancer, a pontuação rebuscada que utiliza demais do ponto e vírgula “;”. Na língua portuguesa o ponto e vírgula não tem um uso obrigatório e seu objetivo é principalmente tornar o texto mais estruturado.

Ou seja, casos em que se deve usar esse ponto são raros, o que não é o caso de Tecnomancer que é recheado de ponto e vírgula. Alguns, ouso dizer, até mesmo incorretos. O uso desse ponto cria um desfoque, pois ponto e vírgula também é usado para dar ênfase, assim como aspas. Imagine um texto lotado de aspas, complicado, não? Para resolver isso o autor só precisa modificar a construção de suas frases, o que não é uma tarefa difícil.

O segundo ponto e o que, sinceramente, me fez abandonar a obra. Ao se criar diálogos é muito importante dar voz para o personagem, cada um tem sua maneira de falar, e fazer personagens carismáticos e marcantes é algo importante, ligado completamente ao trejeitos dele. Usar gírias e palavrões não é um erro, isso dá um ar realista ao personagem.

Então qual o problema? Bem… agora imagine conversar com uma pessoa e ela falar 90% do tempo com gírias e palavrões, ou pior ainda, todo mundo, mas todo mundo mesmo falar dessa mesma maneira. Em Tecnomancer todos os personagens são únicos, são um único personagem.

Acredito que o autor tenha feito isso de forma proposital, tentando fazer algo cômico ou apenas tentar criar uma Verossimilhança, mas devo dizer, ninguém fala igual aos personagens de Tecnomancer.

Sou morador do Rio de Janeiro, morei anos dentro de comunidades e ninguém, mas ninguém mesmo, fala igual os personagens de Tecnomancer. Usar gírias e palavrões dessa forma só vai fazer o leitor se sentir desagradado, ele vai achar aquilo simplesmente “cringe”.

Além de tudo isso, aconselho o autor procurar por artigos sobre pontuação de diálogos, pois a maioria dos diálogos, que tem verbo dicendi, estão pontuados de maneira incorreta.

O último ponto, texto super expositivo. Apesar dos diálogos terem sido o que me fez dropar a história o texto expositivo é o maior problema de Tecnomancer.

Texto expositivo é algo comum em novels, nem mesmo profissionais conseguem escapar disso, ainda mais que o objetivo de uma novel é ser algo direto e divertido de se ler. O problema é, o quão expositivo algo precisa ser.

Tecnomancer demonstra uma exposição enorme. Toda vez que um personagem, conceito ou coisa é apresentado na história, o autor coloca logo em seguida uma explicação do que é aquilo ou de quem é a pessoa. Nada é descrito, tudo é explicado, como se fosse a Wikipédia.

Tecnomancer também peca no uso da técnica narrativa, Foreshadowing. Essa técnica é o prenúncio, colocar algo importante no texto de forma que o leitor não perceba que é importante e depois tornar isso algo importante, fazendo o leitor dar aquele “Uau tudo estava interligado?”.

A obra nem precisa ter muito foreshadowing, apenas o ato de descrever o objeto, ou coisa, antes de apresentar seu uso já ajudaria bastante. Ou apenas esperar um pouco e explicar seu uso em outra situação. Tudo em Tecnomancer parece corrido, como se o autor estivesse escrevendo as pressas, dê tempo ao tempo.

Apesar de todos os erros, escolhi Tecnomancer, pois o autor já chegou a um nível “bom”. Apesar desses erros ele se encaminha para o lugar certo, só precisa de mais experiência e estudo.

Ele tem um bom potencial e só precisa trabalhar mais nisso.

Classificação: Nível 3 — Azul